GENOMA PESQUISA

quinta-feira, 4 de julho de 2013

NA SOMBRA DE UM DOMINGO SANGRENTO





NA SOMBRA DE UM DOMINGO SANGRENTO

SINOPSE


O TEATRO GENOMA traz para o palco “Na Sombra de um Domingo Sangrento” inspirado na canção “Sunday Blood Sunday” do U2.

O espetáculo conta a história de James, Roy e Ian, católicos Irlandeses e da protestante britânica Brigite.

Um drama épico que retrata o lamentável Domingo Sangrento em Belfast na Irlanda do Norte, quando no dia 30 de Janeiro de 1972, 13 pessoas foram mortas.

Neste drama escrito e dirigido por Rodrigo Marcondes, os quatro jovens conseguem fugir do meio do tumulto e agora discutem o futuro a partir da tragédia corrente.

Uma história que retrata as diferenças, o preconceito, o terrorismo, a amizade, o amor. No elenco Fábio Massanet, Cristiano Iana, Kleber Fernando e Juliana Vicma e o músico Renan Grego.







NA SOMBRA DE UM DOMINGO SANGRENTO

PROPOSTA DE ENCENAÇÃO


Em NA SOMBRA DE UM DOMINGO SANGRENTO propomos um jogo psico-bio-antropológico, através de uma dramaturgia inspirada em fatos reais, abordando a condição humana diante de tragédias como esta que ocorreu em Belfast, Irlanda do Norte no dia 30 de Janeiro de 1972. Dia em que ocorre a história que encenamos. As personagens que sobreviveram e conseguiram escapar dos Páras(soldados Britânicos). Jovens que agora estão em conflito com suas emoções, ideis, sonhos, desejos, dúvidas à respeito do futuro. Para estabelecermos este jogo de um acontecimento épico, utilizamos os recursos cênicos do Sistema Teatro Genoma Work In Progress desenvolvido como linguagem autoral pelo grupo, recursos como o Totem Persona:(trecho extraído do Livro Teatro Genoma Work In Progress – 2010- editora Literata- Rodrigo Marcondes, para entendermos o que é o Totem Persona)
_ TOTEM XAMÂNICO

Agora vamos compreender o Totem
Persona, que utilizamos no teatro genoma na criação de nossas personagens.
Como já disse antes, o Totem Persona é a mascara ancestral da personagem, e está
dividido em quatro animais sagrados, que são associados aos quatro elementos, o que ritualiza e influencia diretamente na personalidade, por isso o nome Totem
Persona. O que é Persona?
Persona (do latim persona), na psicologia analítica(Jung), é dado o nome
de persona à função psíquica relacional voltada ao mundo externo, na busca de
adaptação social. Nesta acepção, opõe-se à sizigia(animus/anima), responsável pela adaptação ao mundo interno. Anima e Animus, na Psicologia analítica de Carl Gustav Jung,são aspectos inconscientes de um indivíduo,opostos à persona, ou aspecto consciente da personalidade. O inconsciente do homem encontra expressão como uma personalidade interior feminina: a Anima; No inconsciente
da mulher, esse aspecto é expresso como uma personalidade interna masculina: o Animus. No processo de individuação, a primeira etapa é, justamente, a elaboração
da persona desenvolvida, em termos de sua relatividade frente à personalidade como um todo.
Nos sonhos, costuma aparecer sob várias imagens/formas.
A palavra é derivada do verbo personare, ou "soar através de".
Já no Teatro , Persona era o nome da máscara que os atores do teatro grego
usavam. Sua função era tanto dar ao ator a aparência que o papel exigia, quanto
amplificar sua voz, permitindo que fosse bem ouvida pelos espectadores.
Por extensão, designa um papel social,ou um papel interpretado por um ator.
A partir deste conhecimento, podemos agora ver a constituição do Totem Persona.

TOTEM PERSONA
Se você falar com os animais, eles falarão com você.
E assim, vocês conhecerão um ao outro.Se você não falar com eles, não os
conhecerá......E aquilo que você não conhece, você teme.
... E aquilo que se teme, se destrói.”
[Anônimo]
ANIMAL DO PODER
Todos nós possuímos apenas um. No contexto de cura do Grande Espírito ele
representa nosso ego e características da nossa personalidade. As personas (máscaras)que usamos, nossas habilidades conhecidas e aquelas a que ainda não tivemos acesso. Ou seja ele é o elemento Terra, o corpo, o
movimento, a respiração.

ANIMAL NEGRO
Significa “o nosso lado negro”, a única força existente em nós que consegue
combater a força da magia negra. Este animal recebe e compartilha esta força da
Mãe-Terra. Representa nossa sombra, nosso lado escuro, que ao ser iluminado pela luz do conhecimento nos remete a transformação. Todos nós possuímos um lado negro e um lado de luz. Quando negamos essa energia existente em nós humanos, não permitimos o nosso crescimento e as soluções de todos os nossos problemas. Ou seja, o fogo como elemento, o instinto, o coração.

ANIMAL DOURADO
Representa nossa cura interna. A luz dourada da sabedoria. Significa todos os
nossos conhecimentos adquiridos em todas as vidas. É o elo de proteção do nosso eu com o Grande Espírito. Tem como elemento a água, é o pensamento, o conhecimento, a memória.

ANIMAL ALADO
Nosso animal espiritual. Ele traz a visão transcendente da situação e o poder
para resolvê-la. Nos ajudando a ir além de nossa visão pessoal, a encontrar as
soluções através dos arquétipos, forças sagradas e divinas. È o elemento ar, o
espirito, o sagrado, o elo com o mundo invisível.

Esses quatro animais sagrados formam um Totem Persona, que vai interferir nas
ações e reações da personagem, seja através do hibridismo de morfologia física, ou morfologia psicológica.

Aplicamos o Totem Persona, e iniciamos o rito de passagem, para juntos com o espectador realizarmos um jogo profundo para o despertar da consciência de que eventos e fatos como o de Belfast não devemos permitir que se repitam novamente.





FICHA TÉCNICA


ESPETÁCULO: NA SOMBRA DE UM DOMINGO SANGRENTO

GENERO: DRAMA – ADULTO

AUTOR : RODRIGO MARCONDES

DIREÇÃO: RODRIGO MARCONDES

CENOGRAFIA,FIGURINOS : TEATRO GENOMA

MAQUIAGEM: JULIANA VICMA/ CAROL OLIVER

ILUMINAÇÃO: RODRIGO MARCONDES/ FÁBIO MASSANET

SONOPLASTIA: RODRIGO MARCONDES/ RENAN GREGO

MÚSICA ORIGINAL: SOM IRLANDES DE R.MARCONDES/F.MASSANET/EVERTON VILELA

PRODUÇÃO EXECUTIVA – JULIANA VICMA/ CAROL OLIVER/ RODRIGO MARCONDES

PRODUÇÃO ARTISTICA – RODRIGO MARCONDES

MONTAGEM E REALIZAÇÃO: TEATRO GENOMA/ JV MARTINHO PRODUÇÕES

ELENCO PERSONAGEM
FÁBIO MASSANET JAMES
CRISTIANO IANA IAN
KLÉBER FERNANDO ROY
JULIANA VICMA BRIGITE
RENAN GREGO DENNI



quarta-feira, 3 de julho de 2013

SALOMÉ- RUMOR DAS ASAS DO ANJO DA MORTE - DIA 28.02.15

DE VOLTA AOS PALCOS NO DIA 28 DE FEVEREIRO DE 2015 ÀS 20 HORAS NO ESPAÇO CULTURAL ARUEIRAS DO BRASIL
 CONVITES R$10.00(DEZ REAIS)


SALOMÉ – Rumor das Asas do Anjo da Morte
Sinopse

O Espetáculo Salomé – Rumor das Asas do Anjo da Morte com texto e direção de Rodrigo Marcondes, que se inspirou na obra de Oscar Wilde para montar este drama lírico.

A partir do processo interpretativo e estético Teatro Genoma criado e desenvolvido por Rodrigo Marcondes, as personagens vão sendo esculpidas cena a cena, um teatro onde o ator usa e abusa do vigor físico, trazendo para o palco toda a paixão, sedução, loucura e obsessão de Salomé diante do profeta João Batista e sua fé no Criador. Um conflito de desejo que vai ganhando cor nas mãos do Anjo da Morte. No elenco estão Juliana Vicma – como Salomé, Fábio Massanet – como João Batista, Iris Mendes – como Anjo da Morte, Kleber Fernando – como Herodes.O espetáculo Salomé – Rumor das Asas do Anjo da Morte é uma montagem da Companhia Teatro Genoma, com duração de 60 minutos.



CRITICA DE ROBERTO MASSONI
Dramaturgo – Diretor e Ator de Teatro.

Companhia Teatro Genoma liderada pelo Diretor e dramaturgo Rodrigo Marcondes, apresenta Salomé, livre adaptação do texto de Oscar Wilde.
Tema universal, Wilde retirou do livro sagrado do cristianismo a história de Salomé que, por não ser correspondido em sua paixão, pede a Herodes o assassinatos de João Batista, e não apenas isto: mas que fosse decapitado e sua cabeça trazida até Salomé numa bandeja de prata, provando que a paixão respondida ou não, cega, e não só cega: mas enlouquece.
Rodrigo Marcondes entregue de corpo e alma as delicias e dificuldades da arte teatral, utiliza no espetáculo a linguagem estética e interpretativa do teatro genoma, o processo de formação de ator e criação das personagens do espetáculo laborado pelo inquieto e empreendedor artista. Em cena, duas atrizes Juliana Vicma e Barbara Braw e dois atores Fábio Massanet e João Luiz, enfrentam com entrega o texto que, sem dúvida, revela um dramaturgo empenhado na busca de criar um universo de símbolos (os quatro elementos, o hibridismo- cada personagens relacionado a um animal, contemporaneidade com a bela sonoplastia de bandas Metal “ Alemãs) e usando com precisão os recursos exigentes ( a iluminação por exemplo, tudo somando coloca em cena a coragem de criar( rollo-may) e mais que isso: o prazer com tradução de um trabalho.
Teatro não é lugar de tirar 10 (Frase de Fernanda Montenegro) e sim a arte da ousadia, e ai a companhia teatro Genoma tira 10.
São jovens e já mostram a que vieram: formação de público, apego pela cultura, curso de formação de ator, lapidação dos elementos de estética, Realização de sonhos, a criação de espetáculos que se sustentam, como este sobre Salomé.
Você pode até não gostar, ou “estranhar” mas ao sair do teatro vai sentir o cotidiano alterado e talvez entenderá porque a arte teatral atravessa os séculos: esses moços estão fazendo história e é o Instituto teatro genoma a Usina desta energia: estranha arte que envolve todos os sentidos, e todos os sentimentos- e ainda consegue dialogar.
Rodrigo Marcondes e sua trupe”são um ato de coragem e talento”.
A luz da ribalta para iluminar a vida e deixou escrito Oswald de Andrade “A vida precisa ser iluminada”.
Beto Massoni




CRITICA DE RENATO PAES
- Mestre em educação, especialista em comunicação social, pedagogo, licenciado em letras UFRJ, ator profissional e professor universitário de técnicas teatrais, história do teatro brasileiro, literatura brasileira e comunicação.


Salomé- Direção de Rodrigo Marcondes

Adaptação do livro da peça “Salomé” De Oscar Wilde.
Quando escreveu em mil oitocentos e noventa e um, e em francês, Wilde desejava usar a língua francesa como instrumento á procura do Belo – portanto uma experimentação de expressão.
O autor,adaptou o texto bíblico, que se passa no dia do aniversario de Herodes, onde todos desejam Salomé. Salomé, por sua vez, só deseja João Batista, o mesmo que batizou o Cristo. E, João Batista a rejeita.
Salomé dança para Herodes e, de presente ganha a cabeça de João Batista numa bandeja. Só então ela consegue seu sonhado beijo. Wilde foi acusado de excessiva liberdade ao adaptar o texto bíblico, o que justificou a demora de alguns anos para ver seu texto encenado. Hoje, o texto é consagrado e merecedor de montagens significativas.
Rodrigo Marcondes optou por um espetáculo inspirado no texto original e fez dele seu exercício de experimentação de expressão.
O espetáculo foi concebido na linguagem teatro genoma, desenvolvida pelo diretor. A linguagem possui três veias: a teórica, a plástica, e a interpretativa. Estuda-se o DNA da criação: A gênese da personagem e a árvore genealógica. A personagem herda as semelhanças com um animal, seus movimentos e características sonoras. Vê-se uma mutação genética: Homem + Animal. Vê-se a máscara dupla, a dualidade do hibrido, o ator com sua mascara homem/animal. Juliana Vicma, é a protagonista Salomé/A cobra, num trabalho de bela expressão corporal e vocal.
Marcondes subverte a linguagem lírica Wilde e, ousadamente, cria um espetáculo forte e viril, num estilo neogótico: Cria plasticamente, imagens fortes, inusitadas, e de grande impacto. A sonoplastia é impecável, numa escolha acertada de Tristânia, banda Doom Metal.
O cenário traz plasticamente a terra como o elemento e o andaime central que serve como prisão de João Batista e espaço para que Salomé destile seu veneno e toda sua sensualidade. O elenco conta ainda com Fábio Massanet (João Batista) que escolheu criar um personagem que trilha entre a loucura e o demoníaco, e subvertendo a imagem do profeta de Cristo. João Luiz (Herodes) num trabalho que conquista a simpatia do público e Barbara Braw (Anjo da Morte).

O espetáculo ousa, escolhendo uma linha pouco convencional e longe da linguagem do teatro, dito, clássico – aliás, marca conhecida de Marcondes por seus trabalhos, e gosto pela pesquisa e experimentação teatral.
Mas afinal, o que é a arte, senão uma transgressão? Quem é o artista, senão aquele que ousa subverter ou transgredir?
Rodrigo Marcondes e a Cia Teatro Genoma, são transgressores de Wilde, e só por isso, já merecem nossa presença em seu espetáculo inovador.



terça-feira, 2 de julho de 2013

UMA OUTRA ESTAÇÃO 2005/2013

UMA OUTRA ESTAÇÃO

SINOPSE

UMA OUTRA ESTAÇÃO é um drama escrito e dirigido por Rodrigo Marcondes, foi inspirado na canção Clarisse de Renato Russo, narra a história de Clarisse que está internada em um sanatório e o seu relacionamento conturbado com sua psiquiatra Helena.
Um conflito que levanta questões como preconceito racial, sexualidade, violência infantil e loucura. Um espetáculo que utiliza recursos de teatro de sombras, sistema Teatro Genoma, que possui uma sonoplastia belíssima para falar desta história entre duas mulheres que acabam se descobrindo uma na Outra, com um final surpreendente.
No elenco estão Juliana Vicma(Clarisse/Natasha) e Bárbara Braw(Helena), com duração de 50 minutos.


PROPOSTA DE ENCENAÇÃO


O que propomos é uma reflexão a adolescência, ao preconceito racial, a puberdade, a sexualidade feminina, a violência sexual, a loucura, num jogo cênico entre uma psiquiatra (Helena), sua paciente (Clarisse) e o espectador.
Clarisse uma jovem de 18 anos perturbada, que sofre por possuir um distúrbio que trouxe a tona uma segunda personalidade que é Natasha, que traz para Clarisse um sentimento de auto destruição, no tratamento psiquiátrico com sua psiquiatra Helena , inicia-se um conflito que vai revelar ao público o dentro de cada uma delas, com as questões já citadas acima.
Nesta montagem utilizamos com recurso cênico o Teatro Genoma que se manifesta na estética e na composição das personagens.Na estética com o mínimo de cenografia e uma luz para a presença cênica das personagens e para a criação das cenas do teatro de sombras, onde criamos efeitos estéticos, plásticos diferenciados do teatro de sombras convencional.A maquiagem dupla em função do processo de criação da personagem, onde cada atriz escolhe um Totem animal para relacionar ao comportamento de sua personagem. Um animal que seja apenas uma referencia as personagens e não as atrizes.
Propomos um teatralidade orgânica, onde pretendemos atingir os sentimentos do espectador para um renovar da consciência biológica de todos, espectador e atrizes que celebram o ritual cênico.

Ainda dentro da proposta a utilização de um espaço não convencional para realizar o exercício cênico, espaço esse de forma retangular com no minimo 120 m² para instalação cenográfica e 28 acentos destinados aos espectadores. Não será permitida a entrada maior do que os 28 lugares.
Observação: A apresentação deve ser realizada no período noturno em função da iluminação do espetáculo que utiliza recursos de teatro de sombras.


FICHA TÉCNICA

TEXTO: RODRIGO MARCONDES
DIREÇÃO: RODRIGO MARCONDES
ASSISTENTE DE DIREÇÃO: FÁBIO MASSANET
EQUIPE CENOTÉCNICA: CRISTIANO IANA, TALLYTA FÉLIX, THAIS MARTHINIANO
CENÁRIO : RODRIGO MARCONDES/JULIANA VICMA
FIGURINO E MAQUIAGEM : JULIANA VICMA
ILUMINAÇÃO E SONOPLASTIA: RODRIGO MARCONDES
OPERADOR DE LUZ: RODRIGO MARCONDES
OPERADOR DE SOM: FÁBIO MASSANET
DESIGNER GRÁFICO E PROJETO: JULIANA VICMA

ELENCO: PERSONAGEM

JULIANA VICMA CLARISSE/NATASHA
BARBARA BRAW HELENA










UMA ESTAÇÃO NO SILÊNCIO 2000-2001/2011


UMA ESTAÇÃO NO SILÊNCIO
PROPOSTA DE ENCENAÇÃO


A obra poética de Arthur Rimbaud nos trás os mais profundos sentimentos, esse ícone da poesia universal que atravessou a barreira das línguas.
Este poeta demoníaco, este gole de veneno do verbo que nos convida a beber em sua temporada no inferno e iluminações. Nos levou a realizar o espetáculo UMA ESTAÇÃO NO SILÊNCIO, que é um exercício de traduzir a vida e a poesia de Rimbaud em formas, em imagens, num jogo da expansão de nossa consciência de recriar, trazer a tona o verdadeiro animal que somos: o homem. Buscamos uma teatralidade orgânica através de uma linguagem simbolista onde colocamos o subterrâneo do inconsciente de Rimbaud através de personagens e imagens que se confundem com o inexprimível do silêncio, das vertigens deste poeta místico em estado selvagem.
Utilizamos os recursos do sistema Teatro Genoma Work In Progress, na aplicação do Totem Persona com suas variantes, agregando o expressionismo para um maior vigor físico na estética simbolista, na busca de caminhar entre o sublime e o grotesco.
SINOPSE


TEATRO GENOMA traz para o palco UMA ESTAÇÃO NO SILÊNCIO exercício cênico que apresenta para o público através do simbolismo todo o lirismo e veneno da poesia do poeta francês Arthur Rimbaud.
Rimbaud através de suas ilusões imerso em seu subconsciente se vê diante de seus fantasmas interiores, sua relação com o poeta Paul Verlaine, a igreja, a poesia, sua irmã Isabelle Rimbaud e sua visão sobre as mulheres e seu comportamento perante a sociedade.


















MANIFESTO TEATRO GENOMA - MAIO DE 2005

MANIFESTO TEATRO GENOMA
Manifesto Teatro Genoma Genes, criação, ovulação, fecundação, o gerar da vida viva, e o que é o teatro se não o gerar e fecundar a vida no palco numa relação onde toda uma existência está em jogo, a existência de toda uma etnia, uma civilização, e de todos os seres vivos se manifestam num espetáculo teatral, num ritual sagrado de celebração cênica. O teatro genoma vem buscar a vitalidade orgânica de cada personagem na origem de sua criação genética e genealógica, para realizar a manifestação, a gestação deste ser individual que cabe ao ator como único e sagrado instrumento do teatro fecundar a genes, o DNA, que vai sagrar sua personagem fisicamente, moralmente com toda a sua vitalidade. O teatro genoma vem para trazer ao palco o sagrado genes de cada ser, uma teatralidade verdadeiramente orgânica e afetiva, que exige do ator a busca de sua ancestralidade. Mas principalmente do ancestral genealógico de sua personagem, e toda sua Herança Genética e Hereditária, pois somos o que comemos, o que bebemos, o que defecamos, tudo o que fazemos geneticamente se reflete nos que virão depois, nossos filhos, netos, bisnetos, toda uma geração do porvir. O teatro genoma é um instrumento da geração de uma arte interpretativa engajada na descoberta do ser absoluto da personagem, em energia cósmica e energia orgânica, ações naturais primitivas as ações não-naturais de um estado contemporâneo, uma evolução do ethos heroico das tragédias. mental e espiritual da existência do ser(personagem) com o sagrado rito na relação com o espectador, para revelar o movimento energético deste ser entre o micro-cosmo e o macro-universo O que pretendemos é a descoberta do desenvolvimento físico, , não queremos nada mais que a realização de uma realizando o fenômeno natural do encontro dos estados interiores e ancestrais de ator-personagem com o espectador. Tornando o estado virtual numa verdade coletiva e real, o tempo, espaço e ação do rito teatral. Revelando a própria vida com a força da criação. Isto é o Teatro Genoma!!! Este é o compromisso de nossa teatralidade, fugir dos atalhos, e mergulhar no genes do mundo!!!celebração ritualística, onde a verdade se manifesta em cena, Evoé Baco!! Rodrigo Marcondes Praia Grande, 04 de maio, de 2005.






















DOSSIÊ – UMA ESTAÇÃO NO SILÊNCIO – O NASCIMENTO DO TEATRO GENOMA
Anexo da Proposta de Encenação


Essa busca por uma teatralidade nasceu de uma inquietação constante de meu espírito, mas principalmente depois de ter me encontrado com a obra de Antonin Artaud, o seu teatro e a peste, o teatro da crueldade, seus signos e símbolos, suas idéias despertaram em meu espírito uma incansável busca por um teatro de essência. Havia acabado de realizar um espetáculo sobre Artaud, estava embriagado de suas idéias, como se o espírito de Artaud povoasse meu pensamento.
     E foi exatamente nesse momento que ocorreu um encontro ainda mais avassalador para o meu processo criativo e criador, ganhei um livro de Alvarez de Azevedo, dentro deste livro havia uma página de um jornal antigo, era uma resenha sobre o poeta francês Arthur Rimbaud, ao ler sobre sua obra e sua vida, fui tomado de uma força descomunal, como uma lei da atração, no mesmo instante quis ler seus poemas, quis seus livros, seus dados biográficos, e vi em sua vida e em sua obra o ponto de partida para o meu fazer teatral. 
     Naquele momento eu tinha um elenco muito jovem, de uma oficina teatral, anunciei para eles que iria realizar o espetáculo UMA ESTAÇÃO NO SILÊNCIO, sobre a vida e obra de Rimbaud, escrevi um roteiro a partir dos fragmentos de sua obra, com cenas simbólicas sobre sua vida, convidei atores experientes para fazer parte deste processo, e intuitivamente iniciei um processo autoral de estética e interpretação para essa montagem.      Eu precisava contar a história de Rimbaud, mas não poderia ser naturalista, pois Rimbaud era um poeta simbolista, então a partir da frase de Paul Claudel descrevendo Rimbaud, eu entendi o que deveria fazer. Claudel dizia que Rimbaud era um animal selvagem em estado místico.E foi o que determinei, eu queria a revelação do animal interior em estado selvagem de cada personagem, queria quebrar com o condicionamento, com o racional, queria os atores em suas personagens movidas pela liberação do estado instintivo, intuitivo e sensorial, sem a lógica racional. Cada ator teria o seu animal como totem de sua personagem, iniciamos um processo de exercícios na busca dos animais, o ator não poderia realizar a escolha do animal de forma racional, esse animal tinha que pedir para surgir na personagem, o animal escolheria a personagem, e não o ator.
      Mas nos primeiros exercícios, os animais que surgiram, tinham semelhanças de personalidades com os atores, e não com as personagens, mas não era isso que eu queria, eu queria semelhança de personalidade com as personagens, e prosseguimos nessa busca, até que cada ator realizasse o encontro do animal com sua personagem.      Finalmente conseguimos realizar esse encontro, e prosseguimos na realização do exercício cênico Uma Estação no Silêncio. Os atores surgiam na cena como animais, e permaneciam assim, realizando o que chamamos tecnicamente de hibridismo. Eu ainda não tinha esses termos, nem a consciência exata do que estava acontecendo, mas todos que viam este trabalho perceberam que ali tinha um trabalho autoral, o surgimento de uma linguagem, o principio de uma criação cênica. Em um determinado Festival, o júri que estava presente, debateu, indagou, questionou, e revelou que nossa obra era o futuro do teatro brasileiro, era um teatro novo, e por ser algo novo, as pessoas não iriam aceitar facilmente, que nós iríamos ouvir em nossa jornada, que o nosso trabalho não era teatro. E isso ocorreu muitas vezes, mas foi a partir desse dia, que obtive a consciência do que estava ocorrendo, do que havia sido conquistado, então prossegui na busca de tornar isso de fato em uma teatralidade a serviço do ator.      O ponto de partida já havia ocorrido, agora era preciso desenvolver o que foi descoberto de forma intuitiva e instintiva para um processo técnico em auxílio a interpretação do ator, percorrer novamente os caminhos do processo de Uma Estação no Silêncio para compreender e se apropriar do que havia sido realizado. Eis a tarefa mais árdua, teorizar aquilo que já tínhamos concretizado na pratica. Assim retornei a sala de ensaio, e reiniciei todo o processo de montagem do espetáculo sobre Rimbaud, agora com um novo elenco, e através desta atitude, surge a primeira teoria do Teatro Genoma, a Filosofia estética Teatro Dos Vampiros, que faz surgir o ator-vampiro. Por quê o vampiro? Racionalizando o processo empregado no exercício de Rimbaud, re-avaliando a frase de Claudel sobre Rimbaud – animal selvagem em estado místico – não há outra criatura mais mística e ao mesmo tempo selvagem do que o próprio vampiro. 
     Então iniciei um mergulho sobre o mito dos vampiros, as lendas, as histórias, quanto mais eu pesquisava, mais tinha certeza de que o ator deveria ser um vampiro. Todo o mito do vampiro o relaciona ao poder da metamorfose, ele pode se transformar em um morcego, ou lobo, enfim há mitos em que o vampiro pode se transformar em qualquer animal que desejar. Essa metamorfose vampiríca é o ponto comum com o que eu havia
realizado no exercício de Rimbaud, os atores tinham que realizar uma metamorfose com animais.
      Ao identificar esse ponto, parti para buscar outras questões em comum do homem ator, com o homem vampiro. O vampiro necessita de sangue para se alimentar, principalmente do sangue humano, o ator necessita de absorver os acontecimentos da humanidade para acrescentar ao seu trabalho de ator. O vampiro vive nas trevas, o ator necessita estar nas trevas, para a personagem vir para a luz. Foi nessa idéia que denominei o ator do meu teatro, como ator-vampiro, e assim a Filosofia estética Teatro dos vampiros. 
     Mas para o ator se tornar um ator vampiro é necessário um desregramento de todos os sentidos, um exercício contínuo, na busca do cotidiano, da quebra do cotidiano, a quebra do cotidiano é a transformação desse cotidiano em arte, e arte tem sua própria linguagem, seu próprio estado. O cotidiano pode nos trazer uma rotina viciosa, que nos torna inertes, é exatamente essa inércia que temos que transformar em movimento sagrado e contínuo, para a realização da ação dramática.      Chamamos isso de Deslocamento do cotidiano. O Deslocamento do cotidiano é dar uma nova dimensão a um acontecimento comum, a dimensão do estado interior, ou seja sagrar este acontecimento de forma única e genuína, tornando sagrado através do movimento e da utilização do extra-cotidiano, que é o totem animal. Por exemplo: Rimbaud sagrou-se um grande poeta aos quinze anos com a carta do vidente, entre os dezessete e dezoito anos escreveu seus livros Uma Temporada no inferno e Iluminações, viveu um escandaloso romance com o grande poeta Paul Verlaine, depois abandonou a poesia e foi viver na Abissínia no continente africano, onde se tornou traficante de armas. 
     Esse é o cotidiano comum do poeta, como realizar a quebra deste cotidiano e narra-la com a mesma beleza de seu acontecimento dentro do nosso teatro? Partindo da ótica interior de Rimbaud, a sua caverna interna, é ali que o ator deve morar, para trazer o deslocamento do cotidiano. Depois realizar a escolha do totem animal, vivenciar esse mesmo cotidiano na dimensão do tempo, espaço artístico, isso por si só já recria o cotidiano, e o torna sagrado. O ator-vampiro deve absorver todo esse estado selvagem interior e transforma-lo em ação. Mas não numa ação comum, ele tem que transmuta-la em uma ação extraordinária, realizando desta forma o fenômeno. 
     Pois a arte em cima do palco tem que ultrapassar o cotidiano comum, ao estado de extraordinário, fenomenal, para realizar uma celebração ritualística junto ao espectador, onde ambos através deste fenômeno extra-cotidiano realizem a catarse, e ambos saiam deste ritual transformados e renovados
biologicamente e espiritualmente. Despertando suas mentes para um novo olhar do cotidiano comum. Mas para chegar a este processo, e principalmente ao estado de fenômeno, o ator precisa apropriar-se de si mesmo, dominar sua anatomia, conhecer o próprio interior, para só assim ter a capacidade integral de apropriar-se de outra vida, no caso do teatro a personagem. Isso necessita disciplina e sacrifício, para atingir a liberdade criativa.
      O que me levou a desenvolver este processo teatral, foi o meu inconformismo com a banalização de toda a cultura, é claro que possuímos algumas exceções, pessoas ocupadas em realizar um teatro, uma dramaturgia, que ultrapasse essa banalidade imediata e mIdIatÍca. No Brasil temos um forte trabalho de pesquisa teatral, desenvolvido pelo grupo Lume, ligado a Universidade de Campinas, no interior de São Paulo. 
     Pesquisa essa, que vem sendo realizada por muitos anos, e que trouxe resultados estéticos e interpretativos de grande ressonância no Brasil e no mundo, sem falar do grande mestre Antunes Filho e seu CPT (Centro de pesquisa Teatral), entre outros nomes ressonantes no Brasil e no exterior. Mas infelizmente essas informações não atinge a todos os estudantes, simpatizantes e o grande público de teatro. Agora cada um tem que encontrar o seu caminho, escolher a estrada para realizar a travessia, e foi através de meu inconformismo, que decidi romper com o teatro tradicional e naturalista, para iniciar uma travessia pelo desconhecido, ocupando-me apenas com o fazer teatral, com a investigação cênica, tentando entender, compreender, apreender todos os meandros de um processo interpretativo, todos os caminhos que poderia levar o ator a uma interpretação afetiva verdadeiramente orgânica, utilizando a técnica, o exercício.
     Descobri que o grande segredo do ator-vampiro é o inconformismo, é não se sentir realizado com o resultado de uma cena. Pois isso o leva a um estado egocêntrico, vaidoso, e isso o afasta de sua personagem, e de uma interpretação genuína. O ator conformado, se acomoda, e pensa estar trabalhando numa profundidade maior do que de fato ele está. Quando na verdade ele trabalha num campo de superficialidade, esse é o maior pecado que pode ocorrer para um ator. 
     Por isso o primeiro passo para uma interpretação verdadeira, é ser um inconformado, um questionador de si próprio e todas as coisas que estão em torno de si. É a busca constante de todas as possibilidades de ação, para uma mesma cena. Transformar-se, todos os dias, mudar de opinião, viver na duvida e se deixar levar pela força da vida.      É necessário o conhecimento, a cultura, quanto mais informação, maior é a possibilidade da duvida que nos guiará para a descoberta do objetivo, seja esse qual for. Faço essa afirmação pela própria experiência, e foi só por ser um inconformado que consegui desenvolver o teatro genoma, que nada mais é do que um instrumento de comunicação entre o meu pensamento do fazer teatral com o mundo.
      Mas foi necessário um sacrifício, uma dedicação e uma disciplina para chegar no encontro das respostas que me ator-mentavam, mas foi nessa tormenta que chegamos no processo de Rimbaud, e na descoberta dessa teatralidade. Foi tudo isso que abriu o campo de percepção para a novidade que se revelava. Em Rimbaud a utilização dos animais no processo extra cotidiano, nos trouxe uma interpretação mais instintiva, e era exatamente o que eu estava buscando, a liberação do instinto primitivo, primeiramente ele tinha que imergir, sem a racionalização, sem a consciência ou pela força do pensamento, o ator deveria liberar o seu próprio instinto primitivo, para depois criar e desenvolver o instinto primitivo de sua personagem, a partir do totem animal escolhido para sua personagem.


      Quando digo que o ator deveria liberar o seu próprio instinto animal, não trabalho no plano da memória emotiva, e sim da memória corporal, instintiva, aquilo que está adormecido dentro do corpo do ator, inerte, pois somos animais e primitivos, mas a educação civilizada nos tira esse instinto primitivo, nos condicionando a dogmas e paradigmas, somos condicionados a sermos civilizados, mas se como na história do menino lobo Mogli, fossemos criados em meio a selva por animais, agiríamos somente pelo instinto de sobrevivência, não haveria um pensamento racional e consciente, nem certo ou errado, apenas ações naturais. E é exatamente essas ações naturais que habitam no instinto primitivo, hoje o que realizamos são um número de ações não-naturais, as ações cotidianas convencionais. Para entendermos o que estou falando é simples, fique um dia inteiro sem comer, isso o deixará com fome, muita fome, quando você for comer, liberte-se das convenções, e deixe o seu instinto primitivo agir, isso o deixará em uma ação natural, você imediatamente comerá utilizando as mãos, esquecendo dos talheres. Agora se você não conseguir liberar o instinto, realizará uma ação mecânica cotidiana convencional, mesmo faminto, louco para saciar sua fome, pegara prato, talheres, e comerá com extrema educação, principalmente se houver outras pessoas. Começamos aqui a compreender a utilização do totem animal, ele vem como interferência instintiva, para levar o ator para as ações naturais, rompendo as ações cotidianas, ou seja, não-naturais.      Vamos estabelecer uma ordem dramática para o melhor
entendimento do processo, o texto teatral é o cotidiano. A quebra do cotidiano, ou seja, o extra-cotidiano é a interpretação do ator-vampiro.      Na montagem de Uma Estação no Silêncio, tínhamos um cotidiano em torno de um barco embriagado, um viajante delirante em sua poesia, as voltas com um escândalo amoroso, palavras com força poética e lírica incomum, de um jovem poeta a frente de seu tempo. Na criação do extra-cotidiano de Rimbaud, o ator Wagner Heinneck descobriu o totem animal da serpente, isso estabeleceu a gênese morfológica da personagem, que seria um híbrido derivado da genética de um humano Rimbaud, com uma serpente, criando um corpo novo, modificado geneticamente, agora o processo do extra-cotidiano, era realizar a movimentação desse corpo híbrido dentro do contexto do cotidiano, realizar uma investigação de gestos e expressões faciais, na experiência de um híbrido-serpente.
      A grande descoberta, foi que a primeira cena do Espetáculo, ou seja do cotidiano, remetia-se ao Rimbaud, com 37 anos de idade, tendo uma de suas pernas amputadas, o corpo da serpente é único, como se fosse apenas uma única perna . Wagner inicia a cena como Rimbaud, movido pela busca das ações naturais, movido no primeiro instante apenas pelo instinto, fumando um cigarro, enquanto via todos os animais saindo dentro de si para o mundo. 
     Dentro de sua Caverna Interna, ou seja a ótica interior suas visualizações eram tão selvagens quanto a própria cena do cotidiano, estabelecendo uma vibração sensorial, que é remetida de forma a se tornar uma consciência biológica, através do uso da respiração para criação de movimentos de tensão e relaxamento seguindo o bio-ritimo do extra-cotidiano. O que hoje chamo de tensão híbrida, mas naquele momento ainda não tinha essa consciência, e afirmo que ela demorou a surgir. Mas o uso das ações naturais através do despertar do instinto fez surgir a espontaneidade cênica, que nos levou ao extraordinário, ou seja o fenômeno. O mais difícil para o elenco e para mim enquanto encenador, foi encontrar o ponto de esvaziamento do ator, para chegar no instinto, e nos movimentos de ações naturais. Isso exigiu a criação de recursos, como adaptação de exercícios para as necessidades exigidas, mas principalmente um estado de exaustão. Somente quando atingimos a exaustão do cotidiano, é que começaram a surgir as ações naturais, então o segredo era a repetição e a transformação dos movimentos, dos exercícios físicos híbridos e respiratórios, ensaios que chegavam a uma carga horária de 12 a 16 horas, para dentro de todo este período ter conquistado cinco minutos de movimentos  Espontâneos, produzidos pela intuição e o instinto de sobrevivência. Nesse
período usávamos um exercício de origem japonesa do aclamado Tadashi Suzuki, que eu adaptei as minhas necessidades.
      O Ator se coloca na posição inicial do exercício, que exige plantas dos pés ao chão, pernas semi-flexionadas, os pés na direção dos ombros, braços relaxados ao lado do corpo, respiração diafragmática, e esvaziamento da mente, não pensar em absolutamente nada. Então o encenador utiliza um surdo, um cabo de vassoura, ou mesmo palmas, para criar um som, que cause a reação física, somente a reação física do ator, que ao criar o movimento, permanece estático, mudando este movimento somente com a repetição do som. 
     A verdade é uma ação e reação, o encenador produz a ação, através do som, e o ator reage fisicamente, criando uma expressão corporal aleatória e instintiva. A adaptação que desenvolvi neste exercício, foi a utilização do totem animal, ou seja, o ator utilizando a morfologia híbrida para a realização do exercício, e as vezes a alteração do som por palavras abstratas, ou que remetam a estados emocionais. O ritmo do exercício é determinado pelo encenador, que pode demorar, ou mesmo acelerar a execução do som. Este exercício trabalha a concentração, o equilíbrio, a expressão facial e gestual, juntamente com a respiração. Para um estado grotesco, é importante o encenador, exigir do ator a criação de movimentos e expressões físicas rígidas, com extremo vigor físico, ou seja tensão.      Depois de uma conquista física, partimos para o trabalho da Caverna Interna, ou seja a ótica interior, neste caso foi desenvolvido exercícios tendo como base o texto do cotidiano, seus objetivos, cena a cena, suas intenções dramáticas, para isso criei o que chamo de Deslocamento de Subtexto da memória criativa. Os atores desenvolviam cenas, partindo das situações cotidianas, criando imagens, que serão utilizadas como a visualização interna da personagem, abolindo a memória emotiva, e desenvolvendo a memória criativa. Utilizando os recursos técnicos, e principalmente o imaginário do ator a favor da personagem, aproveitando a descoberta física da gênese morfológica, para a criação dessas imagens interiores.      Todos os atores podem criar juntos uma cena de subtexto, mesmo que ele não esteja na cena cotidiana, mas o seu imaginário pode ser útil e colaborador no auxilio de um companheiro de cena. É importante nesse momento o encenador deixar o ator com liberdade criativa, neste processo, o encenador apenas tem que deixar claro os objetivos dramáticos, para que o ator possa forjar as imagens interiores de sua personagem. É importante a repetição e a transformação das cenas desenvolvidas, para que o ator possa apropriar-se da mesma, para
que no ato do extra cotidiano, ele tenha sua visualização sem interferência pessoal. 
     A personagem deve visualizar, e não o ator. O ator é o veiculo através da qual a personagem se movimenta, respira, e realiza o dialogo com a platéia, mas a história encenada não pertence ao ator, e sim a personagem que ele está desenvolvendo durante o exercício cênico. O encenador pode sugerir exercícios de improvisação, criando situações, que cabem no contexto da história das personagens, ou mesmo estabelecer signos, e a importância destes signos no ato da cena, o que seria a Associação imagética. Por exemplo: um ator pega uma carta em cena, esta carta pertence ao seu melhor amigo, ele deve entregar esta carta aos pais de seu melhor amigo, sabendo que a carta é de um suicida, alguém que acabou de tirar a sua própria vida. Este é o contexto original da cena, uma cena normal. Na criação da caverna interna, essa cena poderia ser da seguinte forma, o ator caminha com a carta na mão, em direção aos pais de seu melhor amigo, mas na sua visualização, o que ele segura não é uma carta, e sim uma faca de dois gumes, que está cortando sua mão, ele visualiza o sangue escorrendo, e sabe que ao entregar a carta aos pais de seu amigo, suas mãos também se cortarão.


      È dar um novo significado a um signo. Neste caso o signo é a carta, o novo significado é visualizar a carta como uma faca. Essa criação alternativa é que vai para a ótica interior da personagem. Estes foram os caminhos percorridos de forma intuitiva no primeiro momento, mas depois estabelecendo a ordem dramática, fui descobrindo cada passo realizado, e aí os codificando para estabelecer uma linguagem do meu fazer teatral, isto ocorreu na primeira fase do teatro genoma, que ainda não tinha esse nome, eu chamava de Teatro dos Vampiros, mas ainda faltava aprimorar, e quem sabe encontrar novos recursos para este processo, e a única forma de realizar isso, era entrar no laboratório, para desenvolver exercícios que pudessem guiar o ator ao encontro dos resultados que estava perseguindo, e nada melhor que o exercício de uma nova montagem teatral, por isso a linguagem acabou sendo denominada Teatro Genoma Work in Progress, pois ela estabelece o progresso interpretativo através do exercício cênico, ou seja da continuidade do fazer teatral.      É aqui que encerro o primeiro ciclo, entre a minha intuição e o inicio da sistematização, para uma nova busca, pois sou um inconformado, e minha inconformidade desperta uma fome voraz por conhecimento. 

Extraído do livro “TEATRO GENOMA - WORK IN PROGRESS” de RODRIGO MARCONDES publicado pela editora Literata no ano de 2010.